domingo, 13 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ele é bonito,
pois finge bem
que não é.
Finge que não é comigo,
é com todo mundo
o carisma que traz solto no rosto.
Ele é bonito,
pois finge bem
que a roupa foi
displicente escolhida.
Finge que não é comigo,
fala com todo mundo
com o mesmo carinho.
Ele é bonito,
pois finge que o perfume
não é dele, é misturado com abraços.
Ele é bonito,
pois eu me vejo nele.
Para dois livros e um caderno que perdi ontem.
Torce o pé,
mochila pesada,
tira os livros e o caderno de espiral pequeno de dentro,
esvazia um pouco,
depois perde os livros e o caderno
num dos bancos que sentou
no trajeto, tantos bancos que
nem lembra mais,
mas não perde a mania
de tentar uma forma
de levar consigo
os sonhos.
Ainda dói o calcanhar,
sente o dó da perda,
mas espera que
quem achou pelo
menos leia os livros e o caderno,
que valiam o peso,
a torção do pé
e todo o resto.
Ela nem gostava de loiro, mas um tipo alemão Hilbert estava na fila da lotérica, atrás dela, quatro pessoas.
"Próximo!" Ela jogou as moedas no guichê. A moça do caixa depois de contar, perguntou: 
"Fala um número, faltou um!"
"34!" Ela disse. 
Ao sair da lotérica, o alemão que ainda estava na fila falou alto: 
"Eu também joguei no 34!"
Ela chegou perto e soltou: "Boa sorte!" E saiu aborrecida por não ter tido a coragem de falar:
"Me dá seu número?"
O que eu sinto
é tão intenso,
Penso
que não amo,
amor não tem
nada a ver
com isso.
Um dedo de azul borra a boca do dia 
que saliva pedindo
água.
Eu podia estar roubando, mas estou aqui esperando um beijo seu.
A Lua ficou amarela, 
pra ninguém esquecer dela.
Caminhei em direção à Lua, e ela parada,
não entendeu nada.
Céu sem nuvem,
Sol sem sombra 
de dúvida
Viver é estranho, incompreensível, mas é insuportavelmente interessante.
Svetlana Alexievich
Com a cabeça cheia,
as palavras saem esmagadas.
O povo tem levado na carne, no bolso, na dignidade e não faz nada!
A droga que nos deram foi muito pesada.
Você vai achar que este poema
eu fiz pra você,
eu sei.
Mas este nem poema é,
é um anúncio de páginas amarelas
feito pra chamar atenção pras coisas belas.
Nem poema é,
pode ver que
tem nota de roda pé.
Cai sem cerimônia,
mas abençoa, chuva!
"Se Deus quiser" depende do seu livre-arbítrio.
Românticos guardam frases, olhares, gestos, músicas, pequenos papéis de Beatriz Milhazes
em guardanapos escritos com número de telefone que nem existe mais.
São tão antigos, que românticos podem ser encontrados quase vivos nos quadros e estátuas dos museus.
Quando encontrar um romântico na rua, que é raro, faça três pedidos.
Se você quiser ser caridoso, faça um para o romântico deixar de ser bobo
e ser feliz.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Aquele tracinho azul do whats app é culpado pela ansiedade do mundo. A pílula azul é culpada pela ansiedade do mundo. O céu azul é culpado pela ansiedade do mundo. A caneta azul é culpada pela ansiedade do mundo. O olho azul é culpado pela ansiedade do mundo. A baleia azul é culpada pela ansiedade do mundo. O jeans azul é culpado pela ansiedade do mundo. O cabelo azul é culpado pela ansiedade do mundo. Um planeta azul é culpado pela ansiedade do mundo.

Maira Garcia
Busco um pouco de Sol
na janela, esse que ainda esquenta às quatro horas.
E um pouco de
conversa aqui dentro.
Meu corpo reconhece
o calor que ainda toca minhas costas às quatro horas de um Sol de inverno,
massageando meu ego
e o meu silêncio.
Românticos guardam frases, olhares, gestos, músicas, pequenos papéis de Beatriz Milhazes
em guardanapos escritos com número de telefone que nem existe mais.

São tão antigos, que românticos podem ser encontrados  quase vivos nos quadros e estátuas dos museus.

Quando encontrar um romântico na rua, que é raro, faça três pedidos.

Se você quiser ser caridoso, faça um para o romântico deixar de ser bobo

e ser feliz.