sábado, 27 de maio de 2017

As pessoas não querem conselhos, querem ser ouvidas.
Você apaga, desiste de um poema, mas o texto não morre, vai nascer em outra pessoa, outro gênero, número e grau.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A declaração de amor
recebida,
em segredo,
encaminho,
cheia de dedos,
com flores de maio,
para outro endereço.
Aproveito a deixa,
economizo latim,
e aguardo a resposta
que não tive
pra mim.
Estão espalhados pelo Centro,
com seus panos e mantas cinzas.
Unhas e peles encardidas, cinzas.
Estão pedindo comida ao invés de pedra.
Cinza.

terça-feira, 23 de maio de 2017

A melancia cortada na banca da calçada,
na esquina paulistana.
O cheiro se mistura ao vento frio.
Do outro lado do Centro, 
homens correm feito ratos, contra o vento.
A felicidade não pode ser plena,
enquanto pessoas estão sofrendo.
Eu não preciso estar apaixonada pra escrever sobre amor. Eu apenas preciso estar viva.
Ganhar duas caronas de guarda-chuva no mesmo dia é muito Sol!
O cheiro da chuva na terra.
O cheiro da chuva no asfalto. 
O cheiro da chuva na pedra. 
O cheiro da chuva no alto. 
O cheiro da chuva lembra histórias tão suas que a boca nem responde. 
O cheiro da chuva é cortesia do céu. Aproveite.
Ontem, estava no trem
e o celular de alguém
avisava
que o presidente tinha
caído.
Sem bateria,
eu acreditava,
e sonhava
que a Reforma
da Previdência parava.
Como eu sorria!
Cheguei em casa
e nada,
mas
amanhã ele cai.
A chuva desmancha os olhos
O que sempre foi feito, descoberto, é como a traição. Você pode perdoar mas continua com a sensação recorrente que vai acontecer de novo, ou você rompe e começa tudo de novo. Precisamos romper com eles.
Perder tempo,
como se pudéssemos perder o que não temos.
o outono é um ensaio 
do inverno e ponto.
Pedaços de bijuterias.
Frascos de perfumes
com uma gota de cheiro.
Bolas de gude verdes.
Santinhos com orações
pra distribuir em igreja.
Alfinetes de tamanhos variados
feitos na China.
Caixa de metal com aparelho
de barbear e espelho.
Saquinho de bolas de naftalina.
Batons começados,
esmaltes endurecidos.
Sabonete Lux.
Botão grande sozinho.
Grampeador.
Agenda telefônica tão pequena
que quase não dá pra ver o número.
Achei seu telefone. É fixo.
Só resta saber se você ainda está por aqui.
Tinha meia hora pra fazer algo pela rua. Passou na lotérica, quina acumulada em dez milhões, pegou o bilhete riscou os números de sempre, e aguardou na demora de alguém na fila que sacava o fgts. Surge uma senhorinha dentro da lotérica, com saia comprida, Bíblia na mão e coque:
- Moça, qual é o bilhete da mega?
- É esse.
- Qual você vai jogar?
- Na quina.
- É mais barato?
- Um e cinquenta.
- Vou jogar esse! Escreve pra mim? Quem sabe você me dá sorte?
Ela assinalou números diferentes do jogo que sabia de cor, só repetiu o número cinco. Ainda tinha um tempinho, foi na loja de doces. Entrou no trabalho e um pouco tarde dentro daquela meia hora, percebeu que a mulher que queria dividir o prêmio com ela era a sorte.

domingo, 21 de maio de 2017

Ontem, estava no trem
 e o celular de alguém
 avisava
 que o presidente caia.

Sem bateria,
eu acreditava,
e sonhava
 que a Reforma
da Previdência parava.

Como eu sorria!

Cheguei em casa
e nada,
mas
amanhã ele cai.

domingo, 14 de maio de 2017

O amor não chega logo de propósito,
quer que você tenha tempo de viver sem.
Planeje seus sonhos,
arrume suas coisas,
tome posse de coisas concretas.
Porque quando for embora,
que tem amor que um dia vai.
Você fique bem.
Até a próxima chegada.
Pedaços de bijuterias.
Frascos de perfumes
com um dedo de cheiro.
Bolas de gude verdes.
Santinhos com orações
pra distribuir em igreja.
Alfinetes de tamanhos variados
feitos na China.
Caixa de metal com aparelho
de barbear e espelho.
Saquinho de bolas de naftalina.
Batons começados,
esmaltes endurecidos.
Sabonete Lux.
Botão grande sozinho.
Grampeador.
Agenda telefônica tão pequena
que quase não dá pra ver o número.
Achei seu telefone. É de fixo.
Só resta saber se você ainda está por aqui.
Saudade, tempo que foi embora e levou gente junto.
Tem poema
que tem
o traço borrado
que você
só enxerga, 
o que é,
quando vê
de longe.
Alguém pergunta
o que você vê
e você responde
onde.
Se você não usar sua intuição, 
ela te usa.
É quase sexta,
mas 
começa 
com o Sol 
dando as caras.
Já a Lua,
agora
cai
na balada.
Não há poesia sem saída.
Você sabe,
ninguém viu,
é segredo,
então
faz de conta.
-Moço, eu poderia estar roubando, 
mas estou aqui vendendo meus sonhos.
Aceito um pouco 
de tranquilidade, 
dessas que se 
espreguiçam
na rede,
no meio da cidade.
Minha janela tem grades,
uma jaula delicada,
que me guarda
da minha liberdade.
Poesia em tempos tão duros pode ser um mico, mas eu me arrisco.
ando afiada com o passado,
é nele que me distraio.
Ando péssima 
com adivinhações,
não consigo 
ler mãos e cartas,
borras de café, 
e olhos.
Expectativa é você pegar uma rosa na mão esquecendo dos espinhos.
Você descobre que é incorruptível quando resiste ao delicioso chocolate de 1 real oferecido pelo misterioso marreteiro.
Verdade é uma palavra bonita.
A chuva passa,
o tempo sorri satisfeito.
Sozinha, eu não ligo,
agora só namoro
comigo.
Ensaio uma despedida
que não termina.
Fica um elástico
que vai embora
volta, nunca rompe.
É a saudade.

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O bairro da Liberdade tem cheiro de Tempurá.
Multidão de um só.
Amigos cabem em qualquer lugar, só precisam de espaço.
O amor é conhecido
de todos, mas é pouco reconhecido.
Pinto as unhas das mãos para cobrir minha ancestralidade de vergonha.
O frio foi feito pra juntar os corpos,
o calor dispersa.
ganho muito 
me fazendo de boba,
a melhor parte são os sorrisos.
Amanhã eu vou parar,
mas já parei faz tempo,
sempre que posso paro,
presto atenção no pulso,
na respiração, 
na pessoa ao lado.
Amanhã eu vou parar,
mas já parei faz tempo,
sempre que posso lembro
da minha labuta, de como era
bom saber que eu podia querer.
Amanhã eu não vou parar,
não estarei aqui pra contar,
não vai dar mais tempo.
Os donos do poder se divertem com a nossa desunião.
escrever com a mâo esquerda,
quando a direita se nega
é um exercício de poder.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Chove um pouco, molha o chão. Poças de água esperam os carros que passam. Não tem como fugir.
Coração desocupado
bate melhor.
Ocupado acelera.
Dois corpos num mesmo
lugar pra contrariar
a lei da física.

domingo, 23 de abril de 2017

É na altura do peito, que o mundo inteiro passeia.
Felicidade não pode ser
barriga cheia, pois dá dor.

 Tem que ter espaço
para a divagação.
Roncar o estômago,
sentir um pouquinho de fome.

E afeto, ao nos aproximar
um dos outros quando
algo falta.

Ouvi um ronco.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Olhou ao redor, falou palavras aparentemente desconexas. Ninguém entendeu que pedia ajuda. Estrangeiro em sua própria língua, invisível a olhos vistos, mas uma criança enxergou o encardido, e despistando da mãe, amassou cinco balinhas na sua mão. Ele, que precisava de açúcar, renasceu.
A sexta feriado
amortece o sábado.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Antes do feriado,
o Sol foi embora cedo,
a Lua vai aparecer mais tarde,
isso se as nuvens deixarem.
Amanhã, o céu quer ser azul,
mas diz que não depende dele.

sábado, 15 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Fui aprender a ler
nas entrelinhas.
Nos espaços entre
as palavras,
nas bordas das serifas.
Fui entender
que você me queria,
Mas já era tarde
nas entrelinhas.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

segunda-feira, 10 de abril de 2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

domingo, 2 de abril de 2017

Às vezes uma gentileza vale mais que um presente. Vale mais que uma conversa. Vale mais por não comprometer além de uma retribuição ou fazer quem recebe repetir o gesto com outra pessoa. Gentilezas adoram ser repetidas. Às vezes gentileza é a única saída.
A presença da morte é tão forte na maioria das vezes, que pouco aprendemos com ela.

quinta-feira, 30 de março de 2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Eu gosto de samba,
Só Não sei dançar 
Em par.

Sozinha imito a mulata.
Sambo bem branca,
arrastando,
ganho risada.


Me aproprio,
no samba,
não valho nada.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Não escrevo tudo que vivo, mas vivo tudo que escrevo.
Deve existir
uma frase 
de efeito, 
um lugar 
comum
onde

 eu possa
deixar
você
como

 está.
Gostar de um poema logo de cara, é o mesmo que comer uma iguaria, se detesta, ou se delicia. Também é o mesmo que preferir Tubaína a guaraná coisa fina, gostar de paçoca e não de amendoim. É mais ou menos assim. Nem todo poema é gostoso, mas é preciso o gosto de provar.
A vida é mais ouvir
do que falar.
É domingo quando
 se acorda.

 Meio dia, e já está
no meio do caminho.

 É segunda quando
 se acorda em poucas horas.

sábado, 25 de março de 2017

O jeito que você fecha seu guarda-chuva, dobra a barra da calça,
 passa o perfume, lixa a unha, divide o cabelo.
São essas bobagens que me fazem acreditar na beleza 
que existe apenas em momentos pequenos.
Eu corro do que 
mais escrevo. 
E o que mais escrevo
não me alcance, 
que nada será 
como antes.

E o peito repousa em lugar nenhum pra
acordar com saudade.
Não tem que ter dia da poesia, poesia é todo dia.
O frio entra na roupa, sem pedir licença.
Mal educado.
Corro do que mais
gosto de escrever.
Se conseguir me
alcançar
talvez pare,
Que a sedução
 termina.

sexta-feira, 24 de março de 2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

 Perdeu! O motoqueiro levou a mochila preta da moça. Em casa, vasculhou seus pertences. Cinquenta reais, batom, uma agenda. Abriu a agenda, um bilhete de quina com algo escrito no verso. Não acreditava em loteria, acreditava em ganhar dinheiro da forma que fazia. Deu vontade de jogar o bilhete no lixo, deixou ali. Na rua, na correria, teve tempo de passar na lotérica, anotou os números e foi embora. Chegando em casa, verificou o bilhete e os números conferiram, acertou as cinco dezenas. Olhou no verso, e viu um CPF, o nome e um número de telefone, e resolveu ligar no privativo, o nome dela era Renata:
- Oi, Renata, tudo bem? 
- Quem é?
- Olha, não é trote, eu levei sua mochila pois eu precisava, sabe? Mas estamos com um probleminha.
- Como conseguiu meu telefone, desgraçado?
- Vamos manter o nível, que o assunto é do seu interesse. Seu telefone estava atrás do bilhete de loteria. Você foi premiada, eu preciso devolver pra você, que está escrito aqui que é intransferível, entende?
- Como eu vou saber que isso não é um pretexto para um sequestro?
- Anota os números, 09, 17, 32, 38 e 45. Confere aí na internet, eu te ligo daqui uns cinco minutos.
-Fechou.
Passado os cinco minutos.
- Renata, o que você vai fazer com 600 mil?
- Não sei. Preciso pegar com você o bilhete.
- A gente faz assim, eu vou deixar sua agenda com o bilhete, num saquinho de supermercado amarrado num portão, no endereço que eu vou te passar depois. Ligou pra Renata, ele passou o endereço, ela pegou o bilhete. Renata rica, ladrão pobre foi preso roubando outra mochila. Ficou dois anos preso. Quando saiu da prisão ligou pra Renata que ofereceu emprego de motoboy entregador de pizza, da pizzaria rica que ela comprou. O boy cansou da correria, aceitou.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Quer que se ouça,
e que fale
O que vale a pena,
E que se silencie
o cio dos problemas.
A chuva que não cai,
E esse querer
que não se entrega.
A confissão
que não sai.
Sentimento à beça.
Queria muito,
muito nada.
Queria muito,
muito pouco.
Mas tem que ser
um
pedaço


que você não sinta falta.
Não existe coisa mais bonita
do que ver alguém dando
a volta por cima.

Do chão, é a perna
que voa e rodeia.
Do céu, é ver o levantar
da poeira.
As palavras na boca,
foram mastigadas.
Juntas digerem um coração.
A chuva não caiu,
Foi banho.

O céu não escureceu.
Alguém apagou a luz.

A lua não apareceu.
Você fechou os olhos.
São as pessoas que me trazem o poema do dia, chegam frescas, ventiladas como a brisa perfumada da primeira hora da feira. Param na minha frente, mudam de cor, falam do amor e da dor. Sempre me perguntam, você está com alguém aí? Eu não minto, pois podem ser vistas dentro dos meus olhos, então digo que sim, pois sou apaixonada por elas, das tantas vezes que as escrevo aqui e ali.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Se sentir inadequado,
Deixa a pessoa triste
em demasiado.

Alivia saber,
que você pode estar certo
no lugar errado?

segunda-feira, 13 de março de 2017

Vai, que a Lua está cheia.
Vai, que a Lua está
Vai, que a Lua
Vai, que a
Vai, que
Vai

domingo, 12 de março de 2017

Um dedo de prosa,
a mão segurando uma rosa.

O ouvido,
a boca seca
falante comigo.

Muito do que se versa
pede silêncio ou conversa.
Aqui é onde tudo vivifica.
Um livro vai, mas a poesia fica.
Deveria ser proibido
escrever num dia esquisito.

Não cola esse pedido,

Pois pode ser o dia do melhor escrito.

O vazio cria espaços para guardar os defeitos, e refeitos somos mais bonitos.
Estar no lugar errado,
não se sabe de que lado.
É estar perdido.
Um livro carcomido,
Alguma Poesia, do Carlos Drummond de Andrade, em estado terminal, no balcão da estação de trem.
Sujeira de toda ordem, rasgos, mas consegui ver João, que em muitos agoras, amava Maria, me acenando. Tentei salvá-los. Dei conta do quão triste fica um livro que vai ao lixo. Queria ter a certeza que virá a ser outro, mas o poeta, em rompante de existencialismo diria, aqui é onde tudo vivifica. O livro vai, mas a poesia fica.
Depois da chuva, o avião ao longe, os carros. Depois da chuva a solidão, o cigarro. Depois da chuva, nenhuma urgência, apenas a felicidade de chegar.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Deixe as promessas
Num lugar onde
o vento as leve.

 Há esperanças que nascem

De promessas perdidas.

domingo, 5 de março de 2017

Existe um tempo
 que o corpo não quer um corpo.

Suspeita-se que deseja uma alma.

Que chega em dia de chuva,
com os ânimos calmos,
na espera do fim da tempestade.

E é bonito quando
um corpo ganha vida.
A gente fala fácil, e escreve difícil, quando quer, pois não é fácil se fazer ler. A gente gostaria de ser livro onde as palavras, sejam elas quais forem, ficam bonitas, mas também ficam bonitas feias. Sabem ficar feias, mas deixam quem escreve bonito. A gente queria ser livro.
Fui para a República agora de noite, segui contra o fluxo dos blocos e fui parar no Municipal. Pessoas aguardavam o intervalo das apresentações sinfônicas, foi aí que conhecemos, na hora da chuva, dois senhores na casa dos 80 anos. Um era editor chamado Álvaro e outro ator, o Aldo. Deu tempo de falar de política, discutir feito gente grande, com todo respeito. Deu tempo de recitar poema e ver o Shopping Light trocando as cores das luzes, os meninos de maiô, as meninas de biquíni, as poças dágua manchadas de purpurina, o carrinho de cerveja. Deu tempo de ver o bloco passar antes de terminar o intervalo.
O espelho avisa o tempo que passa. O relógio, o que você faz enquanto
olha pro espelho.
Repete as mesmas histórias,
ri das mesmas piadas,
é cheio de graça.

Até que um dia esquece
 como a história termina.

E inventa um novo fim.

sexta-feira, 3 de março de 2017

As gotas da chuva ritmadas. A buzina. O latido ao longe. O sinal do celular. O trovão que avisa que vem mais chuva. As rodas dos carros e o motor em uníssono passando na rua. A sirene da ambulância pra lembrar que tudo pode terminar agora.
O poema tem uma voz que canta.
A cantada do poema se destina a todo mundo que ouve, a todo mundo que nele toca, a todo mundo que lê. A sedução que encanta não é privilégio de ninguém.
Cai a poeira
Pedaços de estrelas queimadas do Sol.

Cinzas da quarta.

quarta-feira, 1 de março de 2017

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Gostar é esquisito,
Nem se sabe o motivo
que gosta.
É tão esquisito
 que quando deixa
de gostar vem o espanto
 de quem gostava tanto
e desgosta.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Fecho os olhos
Estou girando
Num gerúndio
profundo,
Consciente deste mundo.

O que me move, o que faz com que eu corra atrás de um trio, num cordão, num abraço de um desconhecido.

Um sentido.

De olhos abertos,
Estou no meio,
Sendo levada pelo bloco,
fecho os olhos e me toco,
Do carnaval que eu não fui.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Alaga, e o céu
esvazia.
A gente nasce,
a gente cresce
e envelhece,
e é melhor do que parece.
Na mureta, olhando
de lado,
Depois foi sentar no banco,
enquanto eu disfarçava.
Você foi no balcão,
me esperava,
E eu a ver sorrisos,
cheia de nadas.

Refiz todas as cenas,
percebi uma bobagem,
um pequeno problema,
faltou
 coragem,
Não sabia o que falar.
Que pena!
Meu sonho de consumo,
é andar sem rumo,
sem ter hora pra voltar.

Inventar um mundo de inventar.
Seja feliz enquanto a chuva cai. Que ao Sol o sentimento é óbvio.
o vento repara
Em cada gota
que cai.
Eu peço sua leitura
com olhos e mãos firmes.
Que não fingem que elas existem.
 As palavras.
Armadas com cara de poema.
Sem você nada acontece,
tudo é problema.
Nada acontece,
nada é o que parece
e precisa aparecer.
No aniversário,
você ganha um vale-sonho pra usar durante o ano no momento mais difícil. Só não vale esquecer.
O desejo e a angústia ficam marcados entre as sobrancelhas.
O teu cabelo não nega
o meu apreço, que me enreda desde o começo
Você que desapareceu,
Levou meu confete.

O bloco passou,
pisei num chiclete.

É carnaval.
Finge bem
quem não sente.
Viver, nem sempre é alegria.
Poesia também é assim.
Tristeza, nem sempre é Poesia.
Viver também é assim.
Eu fiz um verso fácil
pra uma pessoa difícil,
que não vai nem ler meu artifício.

Escolho temas banais,
palavras num mundo comum,
mas tanto faz.
A privatização é a forma preguiçosa de não consertar o que precisa, empurrar com a barriga responsabilidades, e nos torna dependentes por muitos anos. Não é moderno, é para os fracos.
Não me canso de falar as mesmas coisas, repetir os mesmos temas. São histórias urgentes, que fazem valer a pena.
Talvez a felicidade, talvez o Sol,
e talvez aqui dentro.
Um sentimento
que não sei.
Tardes,
saídas das pernas
que trabalham de dia.
Dos pés que andam
sem ver por onde você passa.
E como chega ao destino final.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Eu poderia escrever
 o que não escrevo,
mas não devo.
Por deixar de ser
 a palavra que me
 toma por palavra.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

No dia que escurece
Antes que chova
É noite.
Grafite é arte,
pixo é manifesto
de não pertencimento,
onde eu marco aquilo
que é meu aos olhos,
mas não é meu em sentimento.
Grafite é arte, pixo é desprezo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A briga termina se alguém desiste de brigar.
O amor passado
passa
muito bem.
Amassado
vai meu coração.
Rezo pra São Paulo e peço,
mas ele não me atende.
Entendo que tem nome de santo,
mas é de concreto o barro.
Sua sinfonia é da construção.
Não tem conversa.
Antes da chuva,
as roupas recolhidas,
Janelas fechadas.

A chuva cai,
a energia cessa,
o pensamento começa.
Você com você.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Reza a lenda
Que o Sol não dorme,

Gira na cama
e ilumina o lado de lá

Que ascende a luz.

O Sol, que vive aceso,
Sofre de insônia
por uma esperança desmedida
 que não se apaga.
Olhe nos olhos,
Encoste o peito no peito,
Deixe os corações baterem de perto.
Renda-se a um abraço.
O saíra-sete-cores
é um bravio,
que voa e vai
sem perder-se
 no mau tempo.

Faz da sua casa,
a mata,
seus sete guias.
O ninho para o saíra
 é uma conquista.
Da ave saíra,
 que não leva
a revoada no bico.
O índio vê a terra,
mas a Terra não vê o índio.
Os ossinhos das costas,
a pele em volta
e a mão que nos toca.
Vai e insiste,
Com quem está triste.
Chove tanto pra todo lado, chove no molhado.
Eu não gosto de fofoca, prefiro ler biografias.
Tens as tardes,
Tens as noites,
Tens os dias.
As manhãs, e outras maravilhas.
A maior graça da vida é não saber como ela termina.
Contente é quem perto chega.
Feliz é quem chega.
Levante as laterais do rosto 
com um sorriso.
Sincero,
Sem jeito,
Preciso.
Só não vale ser falso,
Ou maldoso.
Só isso.
Dê um sorriso.
A janela é antiga
Das que tem dobradiças,
E fazem barulhão ao fechar.
É nela que vejo você passar.
A gente tem que
querer bem
quem
nos quer
bem...
se bem que,
se não querer
tudo bem!
Deixa eu sonhar,
Que sonhar não 
me custa nada.
Todos os inícios,
todos sacrifícios,
todas as promessas,
todos os vícios,
fogos de artifício,
todos os nasceres de sol,
a chuva de março
que sempre cai antes,
em
janeiro.
Eu te amo fora do funk,
Que eu não pago pau.
A cigarra erra
Quando canta
sozinha.
Para sempre
Os primeiros instantes 
em que estamos nos apaixonando.
O mundo tem um antes,
E outro depois.
É no início,
Que os sonhos são frescos,
De pegar em pés suculentos.
É no fim, que terminam os pesadelos
E a boa nova encomenda botas de muitas léguas para que ninguém desista,
De sua lista.
É por saber por último,
Que o coração bate atrasado.
E passa 
pra quem viveu,
até aqui,
mais um ano.
A vida com graça,
Cheia de planos.
Sabe os sonhos que não deram certo? Querem sempre estar por perto. É melhor deixá-los ir.
Uma vontade 
Forma buraquinhos para um
bordado bem bonito.
Uma vontade que passa,
Pretexto para serem amigos.
Você ganhou na loteria, 200 milhões, mas agora precisa disfarçar. Coloca uma peruca e óculos escuros e se apresenta com o bilhete do prêmio na Caixa. Até aí tudo bem. Durante 24 horas, só teve a ideia pobre de morar num condomínio fechado, e comprar um condomínio na praia, e como distribuir uma parte da fortuna entre os parentes, desde que guardassem segredo, coisa impossível. Não dormiu, sua vida virou um pesadelo. Acordou, ainda bem que era um sonho.
Desaparecido em 2016, o amor foi encontrado em banca de jornal, numa manhã ensolarada de 2017, mas não foi reconhecido.
Só depois.
Aplausos, não.
Tempestade.
Muito que se fala,
nunca se falou tanto
a palavra.
Encontrar a pulsação,
pressionar no pulso o dedão, 
achar o lugar da vida.
Hoje passei por uma dessas inúmeras mesas de amigo secreto, numa lanchonete da Paulista. Chamou-me a atenção que as garotas movimentavam-se inclinadas ao celular, gesticulavam ao celular, sorriam ao celular, chamavam a vez do presente ao celular. Fiquei na dúvida se estavam ali.
Verão mais de mim no inverno.
Raios,
veias do céu.
Esqueça os dias em que o ano passa. Dias sem passado e sem futuro. Presentes.
Eu deixo minhas palavras
soltas, assim elas caem 
no peito e formam um sutiã de todo gênero,
bem
reforçado,
pra segurar um coração
assim,
assado.
A gente não tem certeza de nada, mas tem fé.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Com amor tudo 
é mais caro.
Sem amor tudo é mais barato.
Suspense é saber 
o que eu penso.
Um povo 
Um desgoverno
Uma história triste.
Quem mastiga bem não engole espinho.
Escrever deveria ser
jogar farol no que se lê,
abrir um pergaminho nas páginas,
ajudar a enxergar quem não pode 
ter livre o livre arbítrio dos livros.
Escrever poderia ser
receita de dar bolo na tristeza.
Escrever poderia não ferir,
escrever sem derrubar aviões,
empurrar barquinhos de papel no balde,
desmanchando embarcações no céu,
salva-pipas das linhas de alta tensão no chão.
Um dia, e muitas noites,
a gente volta segurando a bola,
a gente solta o coração
e aprende a ler a mão do irmão.