sexta-feira, 22 de junho de 2012

Carac-teres

Não precisamos nos ver pela primeira vez 
e nem esperar o tempo certo de dormir.
Não teremos o jantar para esquecer,
quem somos,
de vez em quando.
Sentir o cheiro da roupa um do outro na ausência.
Não precisamos segurar as mãos e tocar as linhas
que bordariam o nosso destino.
Sentir se a pele da boca
desliza direito com a língua,
nos nossos caminhos.
Não precisamos juntar os trapos,
fazer planos.
Pensar se teremos filhos.
Não precisamos conversar sério.
Temer o silêncio.
Visitar hospitais.
Sentar junto ao leito.
Temer o adultério.
Não precisamos segurar o tempo,
pela ausência do belo
e o clarear dos pelos.
Eu não queria estragar a surpresa,
ficaremos a sós até o fim do verso.
Ninguém vai virar do avesso.
Sem precisar nos conhecer,
sem pressa,
nem precisão de qualquer gesto.
Nossas palavras já se casaram,
se encontraram antes de nós,
e vão nos separar para
encerrarem juntas
este texto.
                  Maira Garcia

2 comentários:

  1. Hmmmm, não parece que acaba no final do verso...rsrsrs

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    1. acaba sim, Marcio! rs Valeu a intervenção! bjs

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